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O espiritismo foi codificado no sec. XIX, por Allan Kardec, em França.
Antes, porém, havia todo um conjunto vasto de fenómenos, ao príncipio tidos como sobrenaturais, passados dentro das igrejas, quer católicas, quer protestantes, e não só, que conduziam as pessoas a questões como a existência ou não de uma força acima de nós, uma qualquer inteligência, ou, por outro lado, se haveria ou não pessoas dotadas de poderes, com uma natureza propensa a determinados fenómenos, com características especiais, mais capacitadas para contactar com um suposto mundo invisível.
Para a Parapsicologia, não existe qualquer contacto com o mundo, digamos paralelo ao nosso. Tudo se deve à própria natureza psicológica do indivíduo, mais ou menos propensa para determinada fenomenologia; para o Espiritismo, ao contrário, há um vasto mundo paralelo ao nosso.
Assim sendo, os primórdios do espiritismo foram constituídos por um conjunto de vasta fenomenologia, muito censurada na igreja católica, alvo de estudo sério nos meios protestantes, mote para investigação em universidades, quer nos estados Unidos, quer em Inglaterra e na Europa do Norte.
No entanto, a codificação viria a surgir em França, através do punho de Kardec, muito contestado na comunidade científica de então, que concluiu: se há um efeito inteligente, ele tem que ser movido por uma causa inteligente, pois não há efeito sem causa. Uma mesa não pode dar respostas inteligentes nem pode manifestar sensações, não tem nervos para sentir nem cérebro para pensar.
Deste pensamento surgiu uma codificação, a Codificação Espírita, que assentou, desde o início, em cinco pontos:
Existência de Deus, Inteligência suprema causa Primária de todas as coisas.
Existência da alma, isto é, Espírito encarnado na terra. Espírito, Inteligência, aquilo que sobrevive à morte do corpo físico.
Comunicabilidade dos Espíritos, independentemente do seu estado evolutivo e do facto de se encontrarem neste mundo ou no mundo “do lado de lá”.
Reencarnação, o Espírito reencarna tantas vezes quantas as necessárias para a sua evolução.
Pluralidade dos mundos habitados, o Espírito não evolui apenas no planeta terra. À nossa volta existe uma infinidade de outros mundos, nos quais o Espírito continua o seu processo de aprendizado.
Daqui se conclui que o Espiritismo não é uma religião, no sentido científico do termo, como aprendemos com o nosso mestre Dimas de Almeida. Trata-se de uma filosofia de vida, uma ciência e uma ética, baseadas nas máximas do Cristo, entre elas, “Na casa do Pai há muitas moradas.”
Digamos que, no vasto movimento cristão, se há Católicos, Protestantes, Testemunhas de Jeová, também há Espíritas.
Quando as pessoas dizem que o Espiritismo e o Cristianismo nada têm em comum, certamente requerem para si um deus muito pequenino, dividido entre filhos e enteados. Além disso, convém esclarecer que o Espiritismo não tem uma moral própria, mas ecuménica ou ecléctica, ou seja, absorve para si os princípios de outras formas de pensamento, quando estes são a voz da liberdade espiritual dos movimentos de onde são oriundos, tendo sempre com máxima o crescimento espiritual do homem.
Não quero maçar mais, acho que já me alonguei, apesar de ser o mais objectiva e breve possível face à vastidão da pergunta.
Um grande abraço, e até 4ª feira.
Margarida Azevedo
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